Poesias de Amor


Tudo cai! Tudo tomba! Derrocada

Pavorosa! Não sei onde era dantes.

Meu solar, meus palácios, meus mirantes!

Não sei de nada, Deus, não sei de nada!…

Passa em tropel febril a cavalgada

Das paixões e loucuras triunfantes!

Rasgam-se as sedas, quebram-se os diamantes!

Não tenho nada, Deus, não tenho nada!…

Pesadelos de insônia, ébrios de anseio!

Loucura de esboçar-se, a enegrecer

Cada vez mais as trevas do meu seio!

Ó pavoroso mal de ser sozinha!

Ó pavoroso e atroz mal de trazer

Tantas almas a rir dentro de mim.

Florbela Espanca

“Beija-me as mãos, Amor, devagarinho”, diz Florbela.

Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo?

“Alma, amor, saudade, beijos, versos…”

Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo?

FlorbelaA sua única preocupação é ela própria, o amor, a paixão… o querer e o não querer. A par duma vida pouco comum para os cânones vigentes – dois divórcios e três casamentos em cerca de quinze anos – essa relação mulher-paixão e a exaltação ao exprimir-se sobre si própria, podem ter contribuído para os conceitos aludidos.

Repare-se neste começo de um dos seus mais conhecidos sonetos:

 “Eu quero amar, amar perdidamente!

Amar só por amar: Aqui … além…

Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente …

Amar ! Amar! E não amar ninguém !

… Quem disser que se pode amar alguém

Durante a vida inteira é porque mente!”

Na época, conservadora como diz ser, leva a crer muito provavelmente, num viver que nos factos se coadunará e não se distanciará dos conceitos morais e sociais vigentes.

Que filtro embriagante
Me deste tu a beber?
Até me esqueço de mim
E não te posso esquecer…

Trecho de Florbela Espanca

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.